domingo, 16 de fevereiro de 2014

Como foi a nossa experiência com o Porto Seguro Viagem

Escrito por Dani Bispo

Ninguém paga seguro viagem pensando que vai ter que usar, fato!

Quando estava procurando um seguro para comprar para minha sobrinha, eu pesquisei na internet pessoas que já tivessem alguma experiência boa ou ruim com algum seguro para me  indicar e não achei nada.

Então usei o bom senso, e procurei pelo seguro que havia o melhor preço/nome no mercado.

Desta forma comprei o seguro da Porto Seguro Viagem no plano Europa que era o mais barato afinal a nossa mentalidade acaba sendo que só usaremos o seguro para passar pela imigração então porque pagar o mais caro?

Aí no segundo dia de viagem fomos premiados com o acidente da Isabelle que torceu o tornozelo patinado no gelo (como contei AQUI).

Na hora do acidente não pensei em nada! Me deu um branco tão grande que nem lembrei que tinha seguro! Só queria socorrê-la.

O amigo do Marco ligou imediatamente para a ambulância pois ela não conseguia nem levantar de tanta dor. E quando a ambulância chegou não sabia nem para onde estávamos sendo levadas tamanho era minha aflição. Só queria acabar com o sofrimento dela o mais rápido possível.

Ao chegar no hospital depois de fazer o RX, constatar a fratura, saber da internação e da posterior cirurgia, lembrei que tinha que resolver a parte burocrática ou seja, ligar para o seguro.

Nessa hora as coisas ficam bem difíceis pois temos que saber lidar com a emoção e a razão. As seguradoras sabendo disso tentam se aproveitar.

foto d3

Ao ligar fui informada pela seguradora que eles não tinham convênio com aquele hospital porém como foi um atendimento de emergência eu tinha direito a cobertura.

Bastaria eu pagar, pegar um monte de papel e dar entrada no reembolso ao chegar ao Brasil.

Simples assim até porque todo mundo tem 30 mil euros no bolso para qualquer problema. Só que não né? Não tinha a ideia de quanto ia ser aquela conta e não sabia se tinha dinheiro para pagá-la.

foto c1

A segunda opção seria transferi-la para um hospital particular conveniado. Até topei, mas a condição seria que fosse um hospital pela região. Para minha surpresa eles disseram que não tinham convenio com nenhum hospital na região.

No dia seguinte meu marido conversou com a administração do hospital que se dispôs a receber diretamente do seguro.

foto a3

Por e-mail pedi auxilio do meu irmão que estava no Brasil para ele ligar para a seguradora explicando que não tínhamos dinheiro para pagar ao hospital.

Aliás, ter alguém no Brasil para fazer a “ponte” entre o viajante-seguradora é imprescindível.

A seguradora entrou em contato com o hospital e resolveu tudo com eles mas na hora que a Isabelle teve alta haviam somente dado ao hospital uma garantia de €3.000,00 sendo que o nosso seguro cobriria até €30.000,00.

A conta - internação, cirurgia e ambulância - ficou em torno de €5.000,00 e ficamos presos no hospital até que a Porto Seguro passasse novamente a documentação com a garantia de pagamento.

Nos dias sucessivos eles entraram em contato comigo diversas vezes, muitas delas tendo ainda meu irmão como ponte.

Os médicos italianos solicitaram que a Isabelle viajasse com a perna esticada então a seguradora providenciou o  upgrade para classe executiva para ela e para mim (como ela é menor tem direito a um acompanhante).

A Seguradora se propôs também a antecipar o nosso retorno, caso quiséssemos, mudando inclusive o bilhete para o aeroporto de Bologna que é mais próximo de Rimini. O nosso voo de retorno seria a partir de Roma.

Preferimos manter a volta de Roma pois seria apenas um voo direto diminuindo assim ainda mais o risco de trombose, que já seria alto.

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Como seria inviável viajar de trem  até Roma a seguradora mandou um transfer (uma van) nos pegar em Rimini e nos levar até o hotel e depois no levar do hotel até o aeroporto.

No decorrer da viagem recebemos várias ligações do hospital nos informando que a Porto Seguro ainda não havia pago a conta.

Fiquei realmente preocupada pois assinei vários papéis lá e a seguradora até hoje alega que não recebeu as notas ficais enviadas pelo hospital através dos correio em 30/12/13.

foto a5

Por via das dúvidas antes de voltar passamos no hospital e pegamos uma cópia para trazer conosco. Coloquei no correio e a Porto Seguro já as  recebeu. Espero que acerte as contas com o Hospital! Ainda estamos acompanhando afinal meu nome está lá!

Depois que a Isabelle recebeu alta, ainda em viagem, a mesma teve que tomar por 30 dias uma injeção anti-coagulante por causa do risco de trombose.

Na época a Porto Seguro nos informou que pelo fato da injeção ser um medicamento prescrito pelo hospital, teríamos direito ao reembolso.

Para nossa surpresa quando chegamos no Brasil o nosso pedido de reembolso foi negado! Eles alegam que só temos direito ao reembolso nos medicamentos tomados no hospital.

foto a1

O fato é que essa injeção é cara (gastamos €130,00). Os cidadãos Italianos tem direito de tomá-la direto no hospital. Como a Isabelle é estrangeira não teria esse direito, nem pagando.

É uma divergência de informações!

Outra coisa é que  como tivemos que cancelar os trechos das viagens para Paris e Londres perdemos tudo que pagamos com as passagens de avião easyjet (já tínhamos feito o check in e na hora do acidente nem pensei em cancelar), as passagens de Eurostar e da TrenItália, e uma parte da hospedagem do AirBNB.

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Estava crente que tinha direito ao reembolso pois a apólice falava de um seguro de cancelamento e outro seguro de interrupção de viagem.

Descobri que não tenho direito a nenhum dos dois. Motivo: Não tinha direito ao seguro de cancelamento pois a segurada já havia iniciado a viagem quando o acidente aconteceu.

Também não tinha direito ao seguro contra cancelamento de viagem uma vez que a segurada concluiu a viagem quando acidente aconteceu, ou seja para isso ela deveria retornar antes da data prevista para o termino do contrato.

foto b2

Mas claro que nada disso está explicito na apólice, e ainda não aceitei muito essa explicação. Só estou esperando meu advogado voltar de férias para consulta-lo 

No balanço geral quanto a Porto Seguro:

Pontos Positivos:

- Eles entravam em contato quase que diariamente

- Resolveram toda a parte de upgrade de classe no voo e tranfer até a cidade do embarque e depois hotel-aeroporto;

Pontos Negativos:

- Quando eu precisava falar com eles tinha que pedir para o meu irmão ligar do Brasil ou então ligar a cobrar para a embratel e pedir para chamá-los gastando assim toda meus créditos do celular.

- Não reembolsaram a tala que ela precisou comprar (€45,00) nem o aluguel da cadeira de rodas €3,00 por dia em Rimini e €10,00 por dia em Roma.

- Não reembolsaram o medicamento anti-coagulante nos quais ela teve que tomar diariamente e que custaram ao todo €130,00 e ainda durante a vigência do contrato deram informações erradas que tínhamos direito ao reembolso.

Agora o mais importante:

Para quem está viajando para Portugal, Itália ou Cabo Verde, fiquem sabendo que o Brasil tem um acordo de saúde com esses países. Em outras palavras, o cidadão brasileiro tem direito a atendimento médico na rede pública desses países de graça.

Mas para isso basta você se dirigir ao Ministério da Saúde de sua cidade portando alguns documentos e requer o CDAM (Certificado de Direito a Assistência Médica).

“Os cidadãos brasileiros com permanência breve na Itália, por motivo de turismo, estudo, ou trabalho, podem usufruir de assistência médico-hospitalar italiana, se contribuintes ou beneficiários do INSS - Instituto Nacional de Seguridade Social brasileiro, em virtude de acordo previdenciário assinado pelo Brasil e pela Itália, em 30 de janeiro de 1974, Aplicação do Protocolo Adicional ao Acordo de Migração, em Brasília - DF. Nesse caso, é necessário trazer, do Brasil, o formulário IB-2, que é obtido no posto autorizado do INSS brasileiro.

É possível, também, inscrever-se no INSS na qualidade de contribuinte autônomo, no Brasil, e gozar, posteriormente, após três meses de carência, de assistência médico-hospitalar na Itália, sempre mediante a obtenção do denominado formulário IB-2 ou Certificado de Direito a Assistência Médica (CDAM) no Posto autorizado do INSS brasileiro.

Para maiores informações recomenda-se consultar os sítios internet abaixo ou procurar uma agência do Ministério da Saúde ou da Previdência Social mais próxima à sua residência.

    http://sna.saude.gov.br/cdam http://www.mpas.gov.br
    http://www.saude.gov.br

De posse do formulário IB-2, o cidadão brasileiro que está na Itália deverá dirigir-se à ASL - Azienda Sanitária Locale da jurisdição competente, ou seja, do bairro em que reside, para a aposição de carimbos no documento original brasileiro, registro em computador, expedição de formulários especiais para receitas médicas, pedidos de exames clínicos, internações etc. de estrangeiros com permanência temporária na Itália”.

Texto retirado do site do Consulado Brasileiro em Roma em 29/01/14.

Viajando para Itália eu nunca mais vou depender de seguro saúde. Não viajarei sem ele, mas vou perder uma horinha para pegar esse CDAM.

Espero ter deixado aqui uma contribuição para você que procura um Seguro Viagem.

Acredito que conforme a complexidade do acidente as coisas só se compliquem.

O mais importante é que seja lá qual for sua idade ou seu destino, analise a seguradora como você já soubesse que vai usar, e não o contrário e, principalmente, nunca viaje sem um  seguro.

Você tem uma indicação de um excelente Seguro Viagens? Ajude a outras pessoas que estão procurando um seguro sério. Conte sua experiência.

Comente.

Update: Em 07/03/14 recebemos a confirmação do pagamento ao hospital. Estamos realmente felizes por tudo ter dado certo.

12 comentários:

  1. Dani,
    uma pena que tenha tido todo esse transtorno durante a viagem, espero que tudo esteja bem com sua sobrinha e que tudo se resolva sem mais problemas pra vocês.

    Uma dica importante que acho que vale ressaltar: quando fizer seguro de viagem, vale pagar uma taxa extra - pouca coisa - pra incluir cobertura por pratica de esportes de inverno. Lembro que quando vim à Europa pela primeira vez não fiz isso, e acabei me privando de tentar esquiar porque se acontecesse algo, eu não teria cobertura. Anos depois, ja morando aqui, sofri um acidente de esqui e precisei de socorro de pista - geralmente a tarifa da estação tem seguro incluso, mas so cobre socorro - e sai de ambulância pro médico. No caso de um estrangeiro, so o socorro seria coberto pelo seguro de pista, as despesas com médico, exames e orteses (tive que usar uma tala que foi cara) são cobertas pelo seguro de saude (no meu caso, é a seguridade social da França, mas pro estrangeiro seria o seguro de viagem).

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    1. Oi Natalia,

      Na época que pesquisei vi isso também porque tinhamos intenção de esquiar, Segundo eles a pista de esqui sendo oficial o seguro cobre. Como vc falou só não cobre o socorro ou caso você tenha se aventurado ir esquiar no meio da montanha. Olhei até a apólice, mas como agora não confio em mais nada, já não sei o que é verdade ou mentira.
      Quanto a tala, o seguro não cobriu a tala dela que foi comprada na farmácia, De qq forma na Itália o brasileiro tem direito se levar o CDAM

      beijos e obrigada pela dica
      Dani

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  2. Olá Dani.
    Muito bom seu post. Te sigo no instagram e sempre que vejo algum post em que você indica que tem algo novo aqui no site venho logo olhar.

    Pretendo viajar pra Europa ano que vem, à princípio Irlanda e depois um tour por outros países, e tinha começado a pensar sobre seguro viagem. Suas dicas foram ótimas. Sei que ainda é cedo pra eu olhar mas nunca é cedo pra se preocupar rsrs.

    Melhoras pra sua sobrinha e boa sorte com a Porto Seguro. Não deixe de postar as novidades pois assim estará ajudando muitos de nós.

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  3. Oi Dani, tudo bem?

    Bacana saber a sua experiência com um seguro de viagem, no caso a Porto Seguro. Imagino que mais cedo ou mais tarde pagarão o hospital (o correio italiano é meio lento e é normal que as correspondências cheguem após semanas, deve ter sido por isso).

    Até que não foi tão mal assim, ofereceram um carro com motorista para você ir até o aeroporto de Roma e estiveram sempre a disposição. Só não achei legal a parte de ter que ter alguém no Brasil para cuidar de tudo para você. E se você não tiver, como fica?

    Também achei estranho a parte de ter que ser um hospital privado. Em muitas cidades da Itália não existe um hospital particular. Além disso, muitas vezes os hospitais públicos sao muito melhores, com os melhores médicos. Mas talvez seja pelo fato que não é possível fazer um exame particular em hospital público, ou seja, para fazer os exames em geral precisa ter uma receita do médico de família italiano ou ir até uma clínica particular. Deve ser o mesmo princípio... Ainda bem que fizeram essa exceção para você...

    Eu tinha escrito um artigo há um tempo atrás sobre seguro de viagem ( http://www.brasilnaitalia.net/2011/11/seguro-de-viagem-para-a-italia-tudo-que-voce-precisa-saber.html ), na minha família já fizeram CDAM, usamos no pronto socorro e foi tudo bem, o mesmo tratamento como se fosse comigo ou meu marido, que somos cidadãos italianos.

    Bem, o importante é que deu tudo certo e ainda bem que você fez seguro porque tem gente que sai do Brasil sem fazer nada, na pura sorte, esperando não ter problemas na hora de entrar na Europa...

    Tudo de bom para vocês,

    Babi

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    1. A parte de ter alguém no Brasil é muito importante Barbara, mas você pode ligar para eles a cobrar e resolver, só que tendo que cuidar de uma pessoa no hospital não é muito fácil fazer isso.
      Não é que tenha que ser um hospital privado. Se for emergência pode ser qualquer hospital mas a se não tiver convênio com eles você tem que pagar do seu bolso para só depois eles te reembolsarem. Eles sequer entraram em contato com o hospital para saber se havia uma possibilidade de pagamento direto. É do tipo não temos convênio, paga e depois briga sabe?

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  4. Legal saber um pouco sobre a sua experiência. Eu li todos os comentário que vc me deixou no canal do youtube ( http://www.youtube.com/user/LarissanaItalia , mas infelizmente não consigo responder porque não aparece a opção de resposta pra mim... De qualquer maneira, o atendimento médico público na Itália em geral, na minha opinião, tem muito a melhorar. Uma vez fui ao pronto socorro com meu marido e ficamos 6 horas esperando atendimento. Os médicos de hospital públicos costumam ser bem frios e não olham muito na sua cara... E o meu médico de família (que é o médico onde tenho que ir por qualquer problema, para depois ser encaminhada para um especialista) nem se fala... Muitas pessoas reclamam que ele sempre minimiza o problema do paciente dizendo que "não é nada". Inclusive isso já aconteceu comigo. Ainda pretendo fazer um vídeo sobre isso. Abraços!

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    1. Oi Larissa,
      Não tenho contato com o médico de família pois não moro na Itália, mas acredito que eles minimizam os problemas sim pois meu marido quando chegou aqui no Brasil, fez uma porção de exames que tinha anos que não fazia.
      Quanto ao hospital achei que muito pelo contrário, fomos muito bem tratados. É certo que alguns enfermeiros eram um pouco secos no início mas nada que um sorriso não quebrasse o gelo.
      Acho que o preconceito que alguns italianos tem com estrangeiros pode ser a causa de tanta frieza
      Bjs
      Dani Bispo

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  5. Comentário acima é meu , esqueci de assinar

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  6. Oi Dani na sua opiniao voce acha que com a essa assistencia não é necessario pagar um seguro saude, ja que ele da o direito ao atendimento de emergencia e internação.Fiquei na dúvida.obrigado

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    1. Olha se você for só para a Itália e Portugal não é necessário pagar seguro saúde não. Se tiver o do cartão de crédito melhor né? Mas se não tiver a escolha é sua!

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  7. Excelente!!!!! Muito obrigado Dani pelas informações a cerca do Seguro Porto Seguro e, particularmente, a respeito do CDAM. Não tinha todo este conhecimento. Muito agradecido. Irei para Portugal em julho deste ano (2017). Abraço.

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    1. Robson
      Fico feliz por ter ajudado. Aqui na Itália o CDAM funciona perfeitamente

      Bjs
      Dani Bispo

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