terça-feira, 23 de junho de 2015

Como foi a nossa experiência com o Porto Seguro Viagem

Escrito por Dani Bispo

Ninguém paga seguro viagem pensando que vai ter que usar, fato!

Quando estava procurando um seguro para comprar para minha sobrinha, eu pesquisei na internet pessoas que já tivessem alguma experiência boa ou ruim com algum seguro para me  indicar e não achei nada.

Então usei o bom senso, e procurei pelo seguro que havia o melhor preço/nome no mercado.

Desta forma comprei o seguro da Porto Seguro Viagem no plano Europa que era o mais barato afinal a nossa mentalidade acaba sendo que só usaremos o seguro para passar pela imigração então porque pagar o mais caro?

Aí no segundo dia de viagem fomos premiados com o acidente da Isabelle que torceu o tornozelo patinado no gelo (como contei AQUI).

Na hora do acidente não pensei em nada! Me deu um branco tão grande que nem lembrei que tinha seguro! Só queria socorrê-la.

O amigo do Marco ligou imediatamente para a ambulância pois ela não conseguia nem levantar de tanta dor. E quando a ambulância chegou não sabia nem para onde estávamos sendo levadas tamanho era minha aflição. Só queria acabar com o sofrimento dela o mais rápido possível.

Ao chegar no hospital depois de fazer o RX, constatar a fratura, saber da internação e da posterior cirurgia, lembrei que tinha que resolver a parte burocrática ou seja, ligar para o seguro.

Nessa hora as coisas ficam bem difíceis pois temos que saber lidar com a emoção e a razão. As seguradoras sabendo disso tentam se aproveitar.

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Ao ligar fui informada pela seguradora que eles não tinham convênio com aquele hospital porém como foi um atendimento de emergência eu tinha direito a cobertura.

Bastaria eu pagar, pegar um monte de papel e dar entrada no reembolso ao chegar ao Brasil.

Simples assim até porque todo mundo tem 30 mil euros no bolso para qualquer problema. Só que não né? Não tinha a ideia de quanto ia ser aquela conta e não sabia se tinha dinheiro para pagá-la.

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A segunda opção seria transferi-la para um hospital particular conveniado. Até topei, mas a condição seria que fosse um hospital pela região. Para minha surpresa eles disseram que não tinham convenio com nenhum hospital na região.

No dia seguinte meu marido conversou com a administração do hospital que se dispôs a receber diretamente do seguro.

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Por e-mail pedi auxilio do meu irmão que estava no Brasil para ele ligar para a seguradora explicando que não tínhamos dinheiro para pagar ao hospital.

Aliás, ter alguém no Brasil para fazer a “ponte” entre o viajante-seguradora é imprescindível.

A seguradora entrou em contato com o hospital e resolveu tudo com eles mas na hora que a Isabelle teve alta haviam somente dado ao hospital uma garantia de €3.000,00 sendo que o nosso seguro cobriria até €30.000,00.

A conta - internação, cirurgia e ambulância - ficou em torno de €5.000,00 e ficamos presos no hospital até que a Porto Seguro passasse novamente a documentação com a garantia de pagamento.

Nos dias sucessivos eles entraram em contato comigo diversas vezes, muitas delas tendo ainda meu irmão como ponte.

Os médicos italianos solicitaram que a Isabelle viajasse com a perna esticada então a seguradora providenciou o  upgrade para classe executiva para ela e para mim (como ela é menor tem direito a um acompanhante).

A Seguradora se propôs também a antecipar o nosso retorno, caso quiséssemos, mudando inclusive o bilhete para o aeroporto de Bologna que é mais próximo de Rimini. O nosso voo de retorno seria a partir de Roma.

Preferimos manter a volta de Roma pois seria apenas um voo direto diminuindo assim ainda mais o risco de trombose, que já seria alto.

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Como seria inviável viajar de trem  até Roma a seguradora mandou um transfer (uma van) nos pegar em Rimini e nos levar até o hotel e depois no levar do hotel até o aeroporto.

No decorrer da viagem recebemos várias ligações do hospital nos informando que a Porto Seguro ainda não havia pago a conta.

Fiquei realmente preocupada pois assinei vários papéis lá e a seguradora até hoje alega que não recebeu as notas ficais enviadas pelo hospital através dos correio em 30/12/13.

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Por via das dúvidas antes de voltar passamos no hospital e pegamos uma cópia para trazer conosco. Coloquei no correio e a Porto Seguro já as  recebeu. Espero que acerte as contas com o Hospital! Ainda estamos acompanhando afinal meu nome está lá!

Depois que a Isabelle recebeu alta, ainda em viagem, a mesma teve que tomar por 30 dias uma injeção anti-coagulante por causa do risco de trombose.

Na época a Porto Seguro nos informou que pelo fato da injeção ser um medicamento prescrito pelo hospital, teríamos direito ao reembolso.

Para nossa surpresa quando chegamos no Brasil o nosso pedido de reembolso foi negado! Eles alegam que só temos direito ao reembolso nos medicamentos tomados no hospital.

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O fato é que essa injeção é cara (gastamos €130,00). Os cidadãos Italianos tem direito de tomá-la direto no hospital. Como a Isabelle é estrangeira não teria esse direito, nem pagando.

É uma divergência de informações!

Outra coisa é que  como tivemos que cancelar os trechos das viagens para Paris e Londres perdemos tudo que pagamos com as passagens de avião easyjet (já tínhamos feito o check in e na hora do acidente nem pensei em cancelar), as passagens de Eurostar e da TrenItália, e uma parte da hospedagem do AirBNB.

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Estava crente que tinha direito ao reembolso pois a apólice falava de um seguro de cancelamento e outro seguro de interrupção de viagem.

Descobri que não tenho direito a nenhum dos dois. Motivo: Não tinha direito ao seguro de cancelamento pois a segurada já havia iniciado a viagem quando o acidente aconteceu.

Também não tinha direito ao seguro contra cancelamento de viagem uma vez que a segurada concluiu a viagem quando acidente aconteceu, ou seja para isso ela deveria retornar antes da data prevista para o termino do contrato.

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Mas claro que nada disso está explicito na apólice, e ainda não aceitei muito essa explicação. Só estou esperando meu advogado voltar de férias para consulta-lo 

No balanço geral quanto a Porto Seguro:

Pontos Positivos:

- Eles entravam em contato quase que diariamente

- Resolveram toda a parte de upgrade de classe no voo e tranfer até a cidade do embarque e depois hotel-aeroporto;

Pontos Negativos:

- Quando eu precisava falar com eles tinha que pedir para o meu irmão ligar do Brasil ou então ligar a cobrar para a embratel e pedir para chamá-los gastando assim toda meus créditos do celular.

- Não reembolsaram a tala que ela precisou comprar (€45,00) nem o aluguel da cadeira de rodas €3,00 por dia em Rimini e €10,00 por dia em Roma.

- Não reembolsaram o medicamento anti-coagulante nos quais ela teve que tomar diariamente e que custaram ao todo €130,00 e ainda durante a vigência do contrato deram informações erradas que tínhamos direito ao reembolso.

Agora o mais importante:

Para quem está viajando para Portugal, Itália ou Cabo Verde, fiquem sabendo que o Brasil tem um acordo de saúde com esses países. Em outras palavras, o cidadão brasileiro tem direito a atendimento médico na rede pública desses países de graça.

Leia como emitir o CDAM nesse post AQUI

Mas para isso basta você se dirigir ao Ministério da Saúde de sua cidade portando alguns documentos e requer o CDAM (Certificado de Direito a Assistência Médica).

“Os cidadãos brasileiros com permanência breve na Itália, por motivo de turismo, estudo, ou trabalho, podem usufruir de assistência médico-hospitalar italiana, se contribuintes ou beneficiários do INSS - Instituto Nacional de Seguridade Social brasileiro, em virtude de acordo previdenciário assinado pelo Brasil e pela Itália, em 30 de janeiro de 1974, Aplicação do Protocolo Adicional ao Acordo de Migração, em Brasília - DF. Nesse caso, é necessário trazer, do Brasil, o formulário IB-2, que é obtido no posto autorizado do INSS brasileiro.

É possível, também, inscrever-se no INSS na qualidade de contribuinte autônomo, no Brasil, e gozar, posteriormente, após três meses de carência, de assistência médico-hospitalar na Itália, sempre mediante a obtenção do denominado formulário IB-2 ou Certificado de Direito a Assistência Médica (CDAM) no Posto autorizado do INSS brasileiro.

Para maiores informações recomenda-se consultar os sítios internet abaixo ou procurar uma agência do Ministério da Saúde ou da Previdência Social mais próxima à sua residência.

    http://sna.saude.gov.br/cdam http://www.mpas.gov.br
    http://www.saude.gov.br

De posse do formulário IB-2, o cidadão brasileiro que está na Itália deverá dirigir-se à ASL - Azienda Sanitária Locale da jurisdição competente, ou seja, do bairro em que reside, para a aposição de carimbos no documento original brasileiro, registro em computador, expedição de formulários especiais para receitas médicas, pedidos de exames clínicos, internações etc. de estrangeiros com permanência temporária na Itália”.

Texto retirado do site do Consulado Brasileiro em Roma em 29/01/14.

Viajando para Itália eu nunca mais vou depender de seguro saúde. Não viajarei sem ele, mas vou perder uma horinha para pegar esse CDAM.

Espero ter deixado aqui uma contribuição para você que procura um Seguro Viagem.

Acredito que conforme a complexidade do acidente as coisas só se compliquem.

O mais importante é que seja lá qual for sua idade ou seu destino, analise a seguradora como você já soubesse que vai usar, e não o contrário e, principalmente, nunca viaje sem um  seguro.

Você tem uma indicação de um excelente Seguro Viagens? Ajude a outras pessoas que estão procurando um seguro sério. Conte sua experiência.

Comente.

Update: Em 07/03/14 recebemos a confirmação do pagamento ao hospital. Estamos realmente felizes por tudo ter dado certo.

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